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quarta-feira, 9 de maio de 2012

O casamento e os novos desejos...

"Simone de Beauvoir escreveu, em O Segundo Sexo, que o casal equilibrado não é uma utopia. (...) A célebre feminista acreditava que não são os indivíduos os responsáveis pelo malogro do casamento: mas a própria instituição, pervertida desde a origem. Declarar que um homem e uma mulher devem bastar-se de todas as maneiras durante toda a vida é uma monstruosidade que engendra necessariamente hipocrisia, mentira, hostilidade, infelicidade. Simone de Beauvoir apostava em casais equilibrados em que as noções de vitória e derrota dariam lugar a uma idéia de reciprocidade. É a própria Simone quem nos dá a chave para essa discussão, quando diz que se interessa pela transcendência, superação e expansão dos indivíduos, e não se preocupa com a questão da felicidade, já que não se sabe muito bem o que essa categoria significa. Liberdade e reciprocidade me parecem as categorias que melhor representam as profundas transformações que resultaram nos atuais arranjos afetivo-sexuais entre homens e mulheres. (...)

Somos parte de uma geração que aposta e investe em uma maior qualidade do relacionamento amoroso. Mudar implica perdas e riscos, abrir mão de privilégios e questionar as imposições sociais, ter uma atitude criativa e crítica frente à própria vida, deixando de lado falsos mitos de felicidade.
Temos a oportunidade - e o desafio - de "inventar" o casal, o casamento, a família, a vida que queremos para nós. Nesta "invenção", em que os estereótipos sobre "ser homem" e "ser mulher" não deveriam ter lugar, acredito que lucram homens e mulheres que, ao sentirem-se responsáveis pela construção cotidiana da relação amorosa, não aceitam falsas promessas de uma existência mais fácil e segura, não adotam posturas de vítimas e não gastam suas energias em acusações mútuas, cobranças e chantagens.
As mulheres estão mostrando que não precisam mais de um homem para sustentá-las economicamente, protegê-las fisicamente ou para construir uma família segura e confortável. O que querem é um parceiro que saiba trocar afetivamente, goste de ouvir suas histórias e falar de suas emoções. Alguém que possa ser, acima de tudo, seu melhor amigo. E se ainda for gentil, sensível e a faça rir... seria pedir demais?
Apesar de ainda serem poucos os homens que despertaram para essa realidade - e por isso se discute tanto a crise e perplexidade masculina diante das novas expectativas e exigências femininas -, ainda existe esperança. Principalmente para aqueles que descobriram (depois de muitas desilusões) que, em um mundo consumista e individualista, o amor deve ser construído em bases mais sólidas e maduras, e não na aparência ou na busca desenfreada pelo prazer".

Goldenberg, M. (2000) De Amélias a Operárias: Um ensaio sobre os conflitos femininos no mercado de trabalho e nas relações conjugais. Em: Goldenberg, M. (org) Os Novos Desejos: das academias de musculação às agências de encontros. (pp. 107 - 123). Rio de Janeiro: Record.


Olha aí o casamento... Achei interessante a discussão da Mirian Goldenberg sobre as relações entre homens e mulheres.
O mestrado rende para muito além da dissertação... Dia a dia nas minhas leituras me deparo com palavras interessantes sobre as relações humanas, o que me faz pensar que estou no lugar certo e me preparando para a vida e o que vem nela. Leio tantas coisas fantásticas que me transformam a cada dia.

Ana Cândida.

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