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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Crônicas casamentícias - o indizível de uma noiva

Gente, tá tudo lindo! Quase na contagem regressiva. Lembremos de aproveitar os últimos dias do horário normal, pois dia 20 começa o horário de verão (triste).
Casório tem a ver com coisas lindas, mas não nos esqueçamos que é uma trabalheira sem fim com lugar reservado pra muitos estresses também. Foi em um desses dias que a noiva aqui escreveu esta pequena crônica. Sempre é melhor colocar pra fora, seja falando ou escrevendo, pois assim sobra mais lugar pra guardarmos o que tem de bom. Além disso, olhar os dois lados das situações é fundamental para mantermos a vida fresca e com potencial de renovação.

Parece bobagem, mas não se deve esperar nada de uma mulher organizando seu casamento. É isso. Deve-se esperar nada. Os bons e tolerantes amigos, a velha e conhecida família, os poucos e raros que sobram pra além destas classificações não devem esperar muita coisa. Da noiva basta a existência. Casar-se não é só um acontecimento, é um estado de espírito, um sintoma, uma nova classificação diagnóstica, um estado psicológico. Casar-se é um outro jeito de se ser quem se é, mas com muito mais energia, investimento e tombo. Sim, tombo. Qualquer queda é muito alta. Qualquer subida está longe demais, pois nada se iguala ao êxtase compartilhado pela consigna "organizar casamento". Não é só a indústria do casamento, é o grande carrossel libidinal dos relacionamentos, é o depósito emocional das pessoas. Não é só a festa, são as pessoas da festa. Não é só a cerimônia, são as pessoas que lá estarão e viverão. Todas elas. Casar-se é ocupar-se das pessoas, não das coisas, caso contrário não haveria sequer certidão. Quem se ocupa só das coisas é mais eficiente. E eficiência, em se tratando de pessoas, bem se sabe, não serve para nada já que a razão é subordinada ao descontrole do psiquismo. E nesse lance casamentício, pode-se dizer, as coisas são somente uma cortina em que se pode ver, por detrás delas, todas as pessoas, inclusive a si mesmo. O perigo é deixar de ver a transparência deste véu e apostar que ele é, realmente, a substância. Praticar tempo após tempo o dom do raio-x é trabalho hercúleo. Disso só as noivas podem falar... Deixem-nas com suas indizíveis impressões e com suas emoções engolidas.


Para incrementar, que tal uma experiência cinematográfica?
Woody Allen - Annie Hall - Filme obrigatório para todas as pessoas da face da Terra (em especial aos maníacos por Woody Allen como eu e o Álvaro).



E aqui: http://www.youtube.com/watch?v=f2rS8f--hxc&feature=related o filme completo.


Beijos, gente!!!


Ana Cândida.

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